PSG pode alcançar marca histórica reservada a lendas do futebol mundial

A final da UEFA Champions League deste sábado (28/5) pode colocar o Paris Saint-Germain em um território onde quase ninguém conseguiu chegar. Atual campeão europeu após conquistar a primeira “Orelhuda” da história do clube na última temporada, a equipe francesa tenta repetir o feito diante do Arsenal e entrar no grupo mais restrito do futebol mundial: o dos clubes que venceram a principal competição da Europa de forma consecutiva.
Parece apenas um detalhe estatístico. Mas não é. Ganhar a Champions uma vez costuma eternizar gerações. Vencê-la duas vezes seguidas transforma equipes em dinastias históricas.
Conquistar a Champions League já é um feito reservado a poucos. Repetir a conquista em temporadas consecutivas é algo ainda mais raro. Ao longo da história da principal competição de clubes da Europa, apenas oito equipes conseguiram defender o título: Real Madrid, Benfica, Inter de Milão, Ajax, Bayern de Munique, Liverpool, Nottingham Forest e Milan.
O maior símbolo desse domínio continua sendo o Real Madrid. O clube espanhol venceu as cinco primeiras edições da antiga Copa dos Campeões Europeus, entre 1956 e 1960, liderado por lendas como Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás. Décadas mais tarde, voltou a entrar para a história ao conquistar três títulos consecutivos da Champions League entre 2016 e 2018, com um elenco estrelado por Cristiano Ronaldo, Karim Benzema e comandado por Zinedine Zidane.
Desde a reformulação da competição em 1992, apenas o Real Madrid conseguiu defender o título. Nem mesmo gigantes recentes como Barcelona, Manchester City e Bayern de Munique foram capazes de repetir o feito na era mais globalizada e competitiva do futebol europeu.
Quando um campeão se torna uma dinastia
Existe uma diferença significativa entre vencer a Europa e dominá la. Clubes que conquistam a Champions League de forma consecutiva deixam de ser apenas campeões de uma temporada e passam a representar uma era inteira do futebol.
Foi assim com o Ajax de Johan Cruyff nos anos 1970, que popularizou o conceito do futebol total. O mesmo aconteceu com o Bayern de Franz Beckenbauer e Gerd Müller, com o Milan de Arrigo Sacchi e, mais recentemente, com o Real Madrid da geração liderada por Cristiano Ronaldo. São equipes que ultrapassaram os resultados e influenciaram a forma como o jogo era praticado.
O tamanho econômico da Champions
O domínio europeu também transforma a realidade financeira dos clubes. Segundo a Sports Value, a UEFA Champions League movimenta mais de € 2,1 bilhões por temporada em direitos de transmissão e patrocínios. Quando considerados turismo, publicidade, transporte e impactos indiretos, esse valor ultrapassa € 3,6 bilhões.
A cidade que recebe a final costuma gerar cerca de € 50 milhões para sua economia durante o evento, enquanto o impacto turístico anual relacionado à competição supera € 237 milhões.
O crescimento do torneio ajuda a explicar por que repetir o título se tornou tão valioso. Em 1993, a competição movimentava cerca de € 45 milhões. Atualmente, ultrapassa a marca de € 2 bilhões por ano, resultado de uma estratégia que fortaleceu a marca da UEFA, ampliou a distribuição de receitas e transformou a Champions em um dos produtos esportivos mais valiosos do planeta.
Nesse cenário, dominar a competição cria um ciclo poderoso. Mais visibilidade gera contratos maiores. Contratos maiores permitem mais investimentos. Investimentos fortalecem os elencos. E elencos mais fortes aumentam as chances de seguir vencendo. É uma engrenagem que transforma clubes em potências globais.
A construção de lendas dentro de campo
O impacto também é sentido pelos jogadores. Atletas que conquistam Champions consecutivas passam a ocupar um espaço diferenciado na história do futebol. A capacidade de vencer repetidamente no mais alto nível cria uma imagem de excelência difícil de alcançar.
Foi o que aconteceu com nomes como Cristiano Ronaldo, Luka Modrić, Sergio Ramos, Karim Benzema, Johan Cruyff, Franz Beckenbauer e Eusébio. Além do prestígio esportivo, o sucesso coletivo influencia diretamente valor de mercado, contratos publicitários, salários e premiações individuais.
Não por acaso, equipes dominantes na Champions costumam concentrar os principais candidatos à Ballon d’Or e ao FIFA The Best.
PSG tenta transformar sucesso em legado
Durante muitos anos, o Paris Saint Germain foi visto como um clube que investia pesado em estrelas para tentar conquistar relevância definitiva na Europa. Apesar dos altos investimentos, acumulou eliminações marcantes e frustrações continentais.
A conquista da última temporada mudou esse cenário. Agora, um novo título consecutivo pode representar algo ainda maior: a entrada definitiva do clube no grupo das grandes dinastias do futebol europeu.
Ganhar uma Champions pode marcar uma geração. Vencer duas seguidas pode eternizar um clube. É esse passo que o PSG busca dar neste sábado.